terça-feira, 26 de outubro de 2010

Memórias I

Houve uma gaja que uma vez (que me lembre, não se repetiu) não me fez um broche quando eu queria que ela me fizesse um broche. O mesmo é dizer quando tinha o dever de fazer o broche - quando digo o mesmo é dizer não estou a usar nenhuma figura de estilo. Talvez a perda do hábito de cumprimento de ritos fálicos ajude a perceber os diversos crimes praticados quotidianamente contra o tesão.

Hoje, depois de acordar da sesta com a mão sub-repticiamente do lado de dentro das calças e das cuecas, e ao verificar que ainda tinha tempo, voltei a um estado de entre-o-sono-e-a-vigília em que reestabeleci contacto com aquele momento de má memória em que saí da cama de tesão a abanar e aproveitei da plasticidade do passado para reverter esse momento para a acção justa, devida, natural, único desfecho, etc., até ao culminar.

Passei a tarde com a sensação de que os canos não estavam bem limpos, o que me levou a uma conclusão: aquela gaja não sabe sacar bicos. O que, de resto, ajuda a explicar a atitude dela.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sobre o Portimonense - Benfica

3 pontos a 3 pontos enche a galinha o saco (não, debulha o papo, assim é que é) e portanto vou aproveitar para trazer para a praça pública a discussão da seguinte questão:

A Zon, empresa que se diz líder de mercado, e que depois já diz que diz (ou meta-diz) que há quem diga (A Anacom) que é a que menos reclamações. Ou seja, a Zon faz uma meta-declaração, algo de estranhar, caso fosse a coisa mais surpreendente do anúncio em causa, anúncio esse que alude à possibilidade de a empresa em questão ter estabelecido contacto com entidades do chamado "foro paranormal".

Que a Zon o possa ter feito não é de todo espantoso, já que qualquer empresa/entidade/pessoa/e-tudo-o-que-os-medeia pode ter estabelecido contactos com quem bem tenha entendido, já que o contacto paranormal, nestas alturas, ainda não paga impulsos nem aluguer do aparelho. O que é verdadeiramente surpreendente é mostrarem o animal extraordinário ele-próprio, que é detido e/ou está em contacto com a Zon. O gato branco, uma figura ligada às mais sinistras lides e organizações, nomeadamente a SPECTRE e a Casa Tatu, na rua dos Douradores, revelou, para todo o mundo, a sua divindade, acto após do qual se rumora que (e cito escritura) the cats will rise and overthrow their human overlords. A demonstração de poderes (ou do poder-uno, como diz a... o sítio donde isto vem, vá, o mito) que deve servir como simultâneo aviso aos humanos e grito de chamamento das tropas para os gatos, já todos adivinharam o que é. Como diz a.. a coisa, que por alguma razão está em inglês, língua das coisas, when the one-cat sees fit, he shall unleash the hordes of cattiness against the humaness, and the sign that the preparations are at an end will be the subtle meowing to a ridiculous question without the physical mouth at any stage being open. It is then that it is accomplished, although the sleepwalking humans shan't realize it.

Espero que compreendam que tudo o que está aqui vos foi passado a extremo risco pessoal, disfarçado em post simples sobre um qualquer jogo de futebol, por forma a enganar a catisition, a infame inquisição gatal. E lembrem-se que o Deus de Israel está um bocado por todo o lado, apesar de viver num tabernáculo.

Ah, e beijinhos a todos e boa semana!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Solução para o problema da produtividade (mental e outras) dos portugueses

Falta de aquecimento generalizada. O cérebro não funciona bem no frio em que este pessoal se deixa estar. Porque se poupa dinheiro? Epá, you gotta spend money to make money. De resto, sabemos que quando vem o verão, e portanto não é preciso aquecimento, o pessoal aqui trabalha que se desunha para sacar dinheiro francês/inglês/alemão. Porque não temos nós esse dinheiro para gastar? Porque passámos o inverno a bater o dente e a usar da much needed energy para nos aquecermos em vez de para activar ali o tecido celular que foi deixado à sua sorte. Que foi então a sorte que tivemos.

O que também ajuda a explicar como é que o pessoal que fica sem-abrigo depois não consegue sair dessa.

Preciso de chamar à atenção que os países mais ricos são aqueles que a determinada altura tiveram carvão às bateladas?

If you spend less than your rent's worth in books every month

You're doing it wrong.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Medidas de austerida, ou a puta de que vos pariu

Pois é. Como os tipos da publicidade tão bem descobriram (e muito antes deles, muitos outros) a memória funciona por repetição. Ouvir muitas vezes que as Bolachas Gepeto são muito boas vai fazer o receptor desta informação considerar as Bolachas Gepeto melhores do que antes de receber esta informação. Está certo, o cérebro funciona assim, quem não sabe vai ser comido e quem sabe que faça uso disso.

O regime decidiu aproveitar para nos vir sacar. Já decidiu há uns tempos. Aliás, desde que existe. Os seus mais recentes cómicos prepararam a cena. Umas eleições, Manuela a dizer que sim e já, José dizendo que não que não. A banca, entretanto, chupa o crédito todo que há para chupar. O estado garante, o estado nacionaliza, o estado absorve. E depois o estado vai de arma na mão cobrar tributo. Por quê, perguntam vocês? Já ninguém se lembra. Os camponeses de antanho um dia escolheram um tipo para ficar de vigília a ver se vinha aí uma alcateia comer o gado, foi dormir, e quando acordou tinha que pagar o risco da banca. Lobos, é claro, já só imaginários.

Nada disto é novo, e já não choca. O que choca é a perfeita falta de ideias no debate, a memória curta e, evidentemente, a falta de gente disposta a questionar a raiz do problema. Isto é um jogo. As regras ditam que é assim. Que fazer? Vender casas ou hipotecar propriedades? E já ninguém está disposto a atirar o tabuleiro fora.

E com estas parvoíces pespegadas de organizações internacionais, o jogador tem cada vez menos opções. A bem dizer, já não tem nenhumas. Aumentar os impostos, cortar na despesa ou os dois?

Um protestozinho? Nada? É o "tem que ser". E fica por aí. Termino com um exemplo. Uma amiga minha estava a distribuir folhetos contestatários num mercado em Lisboa quando uma transeunte lhe diz, em surdina:

"Eu acho isso muito bem, mas agora temos que nos portar bem porque as agências de rating estão aí a ver o que andamos a fazer..."

E agora a única questão importante. A única que cai sobre alguém inteligente. A opção de vida. A que separa os humanos em dois grupos:

Isto é para rir ou é para chorar?

E não me voltam a ouvir falar deste assunto.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um manifestação debaixo da bandeira de "Menos apoios! Menos apoios!"

Sobre isto.

Que fique aqui explícito que o A Alemanha Ganhou a Guerra aceita todo e qualquer apoio pecuniário da Embaixada de Israel em Lisboa e, caso esta ceda à pressão de cancelar o apoio ao festival queer, candidata-se especificamente ao dinheiro que sobrar.

Atentamente,

Um não esquisito.

P.S.: Isto é assim: Independentemente dos actos do Estado de Israel, nomeadamente para com a população palestiniana, que podem ou não ser repreensíveis - e a maioria são - o boicote a generalizado a tudo o que seja de Israel equivale a assumir a posição de que Israel não tem direito a existir. O que é uma posição de debate válida. Gostava simplesmente que os partidários destes boicotes, nomeadamente o Bloco de Esquerda, o assumissem explicitamente e deixassem de brincar aos humanistas.

Roupa de Inverno

Este fim de semana fui a Lisboa buscar a Roupa de Inverno. Preparação para o Inverno (sim, que toda a gente sabe que o Outono não existe e que o ano tem três estações e é por isto que os americanos chamam a esta altura Fall, ou seja, a Queda, assim, sem mais.) De que necessita o homem no Inverno, então? Paz e amor entre todos os homens? Não. O Portrait of the Artist as a Young Man e o Werther (não o original, get it?). Os Pescadores. Lembrar-se da Schöneberg a que só foi uma vez. O Se Uma Noite de Inverno Um Viajante traduzido pelo William Weaver (E se comprasse em italiano?). Ir cortar o cabelo. Alguns livros de poesia que não vou detalhar porque isso é um assunto privado. Os livros de que gostamos e que não conseguimos acabar - La Disparition, por exemplo. Os livros de contos que de certeza que ainda não lemos todos e que tivéssemos?: há alturas em que um Borges ou um Poe repetido calha sempre bem. Os livros a que reconhecemos valor mas por uma razão ou outra não nos hipnotizaram: O Rayuela, as Cidades Invisíveis. Alguns ensaios que não vou detalhar porque isso é um assunto privado. E não é que o Bookdepository tem uns valentes Calvinos em italiano? Os gajos que me notifiquem quando chegar os Nossos Antepassados, que eu sou gajo que lê trilogias, como aliás já se viu. E se lesse a do Gato de Schrödinger? Um homem precisa também de um bocadinho de pensamento científico, como o The cause of Business Depressions as disclosed by an analysis of the basic principles of economics, Democracy: the god that failed e o Theory of Games and Economic Behaviour, claro. E comprar dicionários bons, de Francês, Inglês e Italiano. E continuar a puxar aí pelo Alemão, ler um bocado o Bild ou assim. E os outros livros que para lá tinha e que ainda não li? Alguns trouxe.

Gosto muito de edições bonitas. Também trouxe um casaco e umas peúgas.